O Noivo. #MiniFanfic
- Sara Room
- 21 de mai. de 2024
- 3 min de leitura
Aquele era pra ser o pior dia da minha vida.
Abri os olhos antes do sol raiar, não tinha dormido nada na noite anterior. É impossível conseguir dormir sabendo que em apenas algumas horas sua vida poderia estar completamente arruinada.
Passei a noite toda tentando não pensar no que estava a minha espera mas era impossível, com os olhos abertos eu via vultos do meu futuro tenebroso a espreita. Com os olhos fechados via imagens do meu fim.
Um velho caquético, de terno cheirando a naftalina me esperava no altar.
Meus pés queriam se fincar no chão pra que eu não chegasse perto dele, mas por mais que eu tentasse era inevitável, meu pai me arrastava com facilidade até o altar.
Eu gritava e gritava mas ninguém me ouvia. Todo mundo sorria.
Meu casamento foi arranjado. Meu pai se recusava aceitar a ideia de eu sair de casa sem ter um marido e não interessava pra ele o fato de eu já estar apaixonada. Droga! Ele nem poderia imaginar que eu já tinha encontrado o amor da minha vida. Para ele conexões importavam mais do que o amor. Meu noivo era um cara misterioso, presidente de uma empresa de tecnologia que tinha um sobrenome importante. Eu não queria saber. Mas não tinha como fugir, acredite, eu tentei. E depois de falhar, aceitei o meu fim. E então chegamos no fatídico dia.
Me vestiram, eu parecia uma princesa mas meus olhos estavam vermelhos de tanto chorar na noite anterior e a maquiagem por mais impecável que estivesse ainda não escondia.
"Não importa", disse meu pai, "Eles vão achar que você está emocionada, é ainda melhor".
Falando assim você deve pensar que meu pai é um monstro e eu não te culpo, eu também achei por um tempo, o que era super conflitante pq ia diretamente de encontro a versão dele que eu mais amava e que sempre torcia por mim. Eu não conseguia entender.
Respirei fundo. Não adiantava chorar e espernear.
Era hora de caminhar.
De cabeça baixa eu contava meus batimentos cardíacos pra me acalmar. Meu pai segurava firme no meu braço, provavelmente com medo que eu pudesse escapar. Ouvi quando tudo ficou em silêncio segundos antes da marcha nupcial começar a tocar. As portas se abriram, ergui a cabeça e quase desmaiei.
Minhas pernas cederam sob meu peso, sem forças pra me manter de pé. Meus olhos lacrimejaram e eu achei que fosse gritar, chorar e perder o controle. Meu pai virou meu rosto para que eu olhasse no fundo dos seus olhos, eu o encarei e sem falar nada ele me ajudou a me recompor.
Com dificuldade dei o primeiro passo em direção ao altar, respirando fundo a cada novo andar.
Parecia um sonho ao longe e eu não estava conseguindo acreditar.
A cada novo passo que eu dava, piscava meus olhos na tentativa de limpar as lagrimas que não paravam de jorrar. Eu queria enxergar com clareza, eu precisava ver com clareza. Estariam os meus olhos me enganando?
Mas não, eu realmente estava vendo certo.
Ali, parado no altar a minha espera, aparentemente também surpreso com a minha entrada, estava o amor da minha vida. O homem por quem me apaixonei e com quem meu pai sequer poderia sonhar em oferecer a mão de sua filha amada. Olhei para o meu pai que sorria em meio a minha confusão. Será que ele sabia?
Meu coração não tinha se acalmado, ainda batia descompassado mas dessa vez por outra razão. Meu pai parou ao meu lado, estendeu a minha mão. Meus dedos encontraram os dele, que sorriu aliviado.
E naquele momento eu tive a certeza de que seria eternamente feliz.





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